Cine Falcatrua: Como assim?

1) O Cine Falcatrua é um projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo que busca repensar a indústria cinematográfica através do uso de tecnologias digitais, e problematizar a distribuição e exibição audiovisual dentro de uma nova ecologia de mídias.

2) O Cine Falcatrua é uma sala de projeção nômade, que utiliza equipamentos caseiros – CPUs obsoletas, datashow, amplificadores Marshall, uma tela branca e cabos, muitos cabos – para emular o funcionamento de um circuito cinematográfico convencional. Desde o início de 2004, ele exibe filmes baixados da Internet em sessões semanais gratuitas, já tendo atingido um público direto de mais de 30000 pessoas.

3) O Cine Falcatrua é um grupo que – produzindo, distribuindo e exibindo filmes – pretende colocar diversas mídias umas contra as outras, subvertendo-as e potencializando-as. Essa prática já foi chamada de mídia-artivismo e outros nomes feios, mas não está longe do que é o Cinema em sua forma mais pura, a invenção humana.

E, quando falamos em Cinema, o que está em jogo não são discussões conceituais sobre a produção ou o significado dos filmes, e sim questões práticas normalmente deixadas de lado. O que fazer com um filme depois que ele é terminado? Como fazê-lo chegar aos espectadores? Qual a influência do tecido social nos critérios das distribuidoras? Qual o lugar ocupado pelas salas de projeção no espaço urbano?

A atuação do Cine Falcatrua se baseia em sessões ordinárias de exibição cinematográfica, gratuitas e semanais. O projeto já organizou sessões em salas de cinema, quadras de esporte, auditórios, galerias de arte, inferninhos indie e até em um baile funk.

Mostras Falcatrua de Conteúdos Livres (2004-)

As Mostras Falcatrua de Conteúdos Livres comportam produções de diversos países e gêneros, obtidas através da Internet, livres para a difusão e exibição sem fins-lucrativos.

O objetivo desta programação é principalmente levantar o debate sobre as relações entre tecnologias digitais e produção cinematográfica, oferecendo uma vitrine transparente do poder que a Internet pode fazer para o audiovisual atingir seu termo – isto é, o público.

Durante a mostra, são distribuídas cartilhas com as URLs onde as obras podem ser obtidas, além de instruções sobre como montar um própria exibição cinematográfica utilizando equipamentos caseiros – um convite para que o público se torne também curador.

Mostras desse gênero já foram realizadas no II Festival do Livre Olhar (RS, 2005), no Museu de Arte do Espírito Santo (ES, 2005), no III Fórum de Software Livre da Bahia (BA, 2006), no Cultura Livre: Processos e Conteúdos (SESC Consolação, SP, 2006), no II Encontro Mineiro de Software Livre (MG, 200¨), e no Piksel06 (Bergen Center for Electronic Arts, Noruega, 2006).

Agosto Cinema Clube (2005-)

O “festival de discutir cinema no bar”, já em sua segunda edição, joga com as tensões entre espaços e discursos cinematográficos.

Quatro cinéfilos tarimbados são convocados a fazer a curadoria subjetiva das sessões do Falcatrua do mês de Agosto. Eles devem escolher um filme de suas videotecas pessoais, um daqueles que tenha marcado suas vidas – sinalizado o primeiro beijo, a descoberta do cinema, uma separação dolorosa.

Daí, superando a parcialidade, cada um escreve uma crítica a ser publicada no jornal do dia, e apresenta o filme antes de sua projeção. Depois, é convidado para ir ao bar junto com o público espectador, e discutir a obra no calor do momento, com base nos gostos e achismos de cada um.

A intenção do Agosto foi controverter a tradicional prática cineclubista de “debater o filme”, forçando-a aos seus dois extremos: o discurso unilateral do expert e a saudável balbúrdia apaixonada.

Festival de Baixa Resolução (2005-)

Festival competitivo para vídeos de Internet – em salas de cinema de verdade. Buscava delinear o gênero através do choque entre o conteúdo desautorizado da rede e a atmosfera hiper-autorizada da Instituição Cinematográfica.

O Festival de Baixa Resolução procurou aplicar o paradigma de distribuição de vídeos na web à estrutura de um festival de cinema. Até o dia da exibição, tudo aconteceu online: da distribuição do regulamento (por listas de discussão) ao recebimento dos vídeos (via e-mail). A divisão de categorias foi feita por kilobytagem – medida que, como a metragem, também se refere a certo tipo de volume.

Os competidores não precisavam ser autores das obras inscritas. Segundo o próprio regulamento, eles apenas se responsabilizavam pela inscrição. No caso de mais de uma pessoa enviar a mesma obra, ela passava a ser de responsabilidade coletiva. Por isso, apesar da participação de alguns vídeos autorais, podemos dizer que a verdadeira disputa foi entre diferentes prospecções da rede.

Mostra do Filme Livre (Mesmo!) (2006)

Apanhado de material das Mostras Falcatrua de Conteúdos Livres, preparado para o I Festival Multimídia de Conteúdos Livres do país, dentro do 7º Fórum Internacional de Software Livre. Sua programação pretendia acabar com a idéia de que liberdade criativa seja uma noção única e indiscutível. As obras que compõem a Mostra, embora sejam todas “livres”, foram licenciadas das mais diversas formas – algumas das quais refletem propostas conflitantes para um novo direito autoral, inclusive no conteúdo.

Festival CortaCurtas (2006-)

Festival de cinema expandido e aos pedaços, realizado em paralelo às exposições do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2005-2006. Expandido porque não se deixa limitar por suporte ou gênero. Aos pedaços porque é assim que os filmes aparecem na tela do festival: picotados.

No CortaCurtas, o controle das exibições não está nas mãos de quem paga ou de quem planeja, mas de quem opera as máquinas. Como na época do primeiro cinema, é o projecionista que decide o que passar e como passar. O festival busca evidenciar que não apenas o modo de fazer o filme se digitalizou, mas o próprio consumo de cinema pode obedecer a um novo paradigma.

Foram realizadas sessões regulares dentro do programa Rumos, no Instituto Itaú Cultural (SP) e no Paço Imperial (RJ). Além disso, o CortaCurtas aconteceu excepcionalmente no nightclub Fosfobox (Rio de Janeiro, RJ), na sala Humberto Mauro (Belo Horizonte, MG), no Beco do Rato (Rio de Janeiro, RJ) e no Teatro Carmélia de Souza (Vitória, ES). O festival também já foi para Belém e Goiânia.

PIY (2006)

Obra preparada para a exposição Die Kunst erlöst uns von gar nichts (AAC Gallerie Weimar). Consiste em uma série de instruções enviadas por email, que deveriam ser seguidas pela equipe de montagem da exposição para confecção da obra, reunindo arquivos encontrados pela Internet. A correta execução das instruções obrigava a equipe a incorrer em uma série de pequenos delitos e quebras de copyright contra filmes e softwares.

KinoArcade (2006)

KinoArcade é uma mostra de curtas, mas também é um cine-campeonato de fliperama. Os famosos machinimas, filmes feitos com engines de games 3D, se confundem com partidas disputadas ao vivo no telão, testando os limites do jogo como ferramenta de criação e como espetáculo cinematográfico. Evento organizado como parte do 2º Game_Cultura – Passando de Fase (SESC Pompéia).

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4 Respostas to “Cine Falcatrua: Como assim?”

  1. Ronaldo de Souza Says:

    Bom dia amigo, achei o Cine Falcatrua muito legal, moro no Rio de Janeiro, gostaria de saber como montar um cineminha infantil com datashow mas não entendo deste aparelho qual seria um melhor de custo beneficio para começar, desde ja agradeço a atenção dispensada, certo de vossa resposta.
    Ronaldo de Souza

  2. Ronaldo de Souza Says:

    Bom dia amigo, achei o Cine Falcatrua muito legal, moro no Rio de Janeiro, gostaria de saber como montar um cineminha infantil com datashow mas não entendo deste aparelho qual seria um melhor de custo beneficio para começar, desde ja agradeço a atenção dispensada, certo de vossa resposta.

  3. Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia » Cine Falcatrua Says:

    […] dos participantes da última edição do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, o Cine Falcatrua é um projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo que busca repensar a […]

  4. Felipe Rodrigues Says:

    Olá,

    Sou roteirista do programa Hiper Real do canal SESCTV dirigido pelo cineasta Kiko Goiffman e estou escrevendo novos episódios sobre Jovem coletivos, por admirar o trabalho de vocês além de terem uma importância notável para a distribuição do cinema alternativo, gostaria de saber se a possibilidade de gravar uma entrevista.

    Grato,

    Felipe Rodrigues.
    (011) 7634-0841

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